O NOSSO “SÃO JUCA”
 

O velho rebocador “São José” que passava vagaroso e humilde pelas águas mansas da nossa Baía Babitonga, já tivera suas aventuras gloriosas também em mar aberto.

Quando o “São José” novinho em folha veio da Alemanha, adquirido pela Empresa Nacional de Navegação Hoepcke chegou todo importante pois era o mais potente rebocador na área portuária.
Habitavam a Babitonga, o “Valente” e o “Vitória” da Empresa Marítima e Comercial. Ltda., o “Babitonga” da firma Bernardo João Truppel, o “Oscar”, também do Hoepcke e a pequena “Lloyd –7” do Lloyd Brasileiro que faziam os reboques das alvarengas (chatas) transportando cargas entre São Francisco, Araquarí e Joinville.

Era porém o “São Juca”, como o chamávamos carinhosamente que imperava na área pois tinha potente máquina e o maior porte e calado.
Os demais eram acionados por antigos motores semi - diesel ou gasolina e de pouca força, na época.
O “São Juca”, não ! Sua caldeira com a pressão “em cima” acionava a máquina alternativa a vapor, com precisão, cadência e força fazendo-o abrir na proa uma “orgulhosa bigodeira de espumas brancas” mesmo arrastando quatro ou cinco chatas carregadinhas de pinho em tábuas , de Joinville para os navios em São Francisco ou em sentido contrário , rebocando essas chatas com trigo argentino para o Moinho Rio-Grandense até o Cais Conde D’Eu.
Todos os seus tripulantes tinham até um certo orgulho próprio de estarem ali embarcados em tão importante embarcação portuária.
Quando da desativação da Empresa Hoepcke e o término do tráfego de cargas ele foi vendido para a Administração do Porto de São Francisco e motorizado passando a atuar na atracação e desatracação de navios, no porto.

Mais tarde, leiloado foi embora de São Chico e, hoje, outros rebocadores mais modernos e possantes atuam no porto. Guardamos ainda na memória, a saudosa lembrança do “Nosso São Juca” singrando garbosamente, as águas da Babitonga.

fonte: Mário Bernstorff